Projecto de Requalificação do Monte Xisto



Este projecto cultiva a história e autenticidade do bairro, procurando evitar as configurações padronizadas e de certo modo estéreis do planeamento formal. Combina o conhecimento proveniente do terreno propriamente dito com estratégias top-down de fazer cidade. A proposta pretende consolidar a encosta de Monte Xisto, através de intervenções na habitação e em novos espaços públicos. Com vista à regeneração da zona, algumas casas serão demolidas – aquelas cuja estrutura é insusceptível de reconversão – e novas casas serão criadas para realojar as famílias afectadas, perto da localização original. Estas demolições foram consentidas tanto pelos residentes como pelas entidades oficiais, compondo uma solução que, até ao momento, parece agradar a todos. Esta proposta de compromisso foi conseguida através de longas conversas, tanto com as altas esferas do poder local como com os cidadãos directamente envolvidos. Esperemos que este processo de mediação seja o caminho para solucionar um caso que parecia não ter saída.

Cartografia histórica

Cartografia histórica

Monte Xisto é uma das oito colinas que formam a freguesia de Guifões, na margem do rio Leça, em Matosinhos. O local era originalmente uma pedreira de granito. Gradualmente, atraída pela industrialização e pela construção do porto, a população, vinda sobretudo do interior, começou a estabelecer-se ali. Com a automatização do porto e a desindustrialização…

Fotografia aérea

Fotografia aérea

O Monte Xisto é caracterizado pelas suas casas unifamiliares construídas com elementos e materiais simples (telhados de telha, paredes rebocadas, gradeamentos decorativos, cerâmica imitando pedra, etc.). À primeira vista, esta topografia urbana parece expandir-se irracionalmente, mas a sua estrutura é clara: uma espécie de espinha de peixe, com um eixo central que se estende sobre…

O caso das derrocadas

O caso das derrocadas

Na noite de Sexta-feira 2 de Dezembro de 2005, o muro de suporte das propriedades das famílias Borges e Parada, colapsou parcialmente. O caso mereceu a atenção mediática, mas a falta de dinheiro e de diálogo tem impedido que se encontre uma solução. Recortes de jornal de 2006, cortesia do arquivo Albino Borges.

Encosta – Antes e depois

Encosta – Antes e depois

Propõe-se a consolidação da zona afectada pelas derrocadas, através da substituição das construções em risco por um novo espaço de recreio. A imagem mostra a consolidação da encosta e a integração urbana da intervenção. Imagem por PROMPT.

The proposal consolidates the slope and is integrated into the surrounding area, stemming from the site of the landslides through interventions that create new accesses between the top and bottom of the hill. Image by PROMPT.

Desenhos

Desenhos

A proposta consiste num conjunto de intervenções no espaço público que criam novos acessos entre a parte baixa e a parte alta do morro. Propõe-se a demolição de algumas casas com estruturas insusceptíveis de reconversão e criam-me novas habitações que servirão para realojar as famílias envolvidas neste caso.

O muro

O muro

Os novos espaços públicos são sustentados por um muro em gabiões ‘percorrível’. Propõem-se também novas intervenções feitas a partir dos escombros de algumas casas demolidas. Estas estruturas preservam simbolicamente a memória do lugar. Imagem por PROMPT.

Horta comunitária

Horta comunitária

Horta comunitária e nova estrutura funcional e simbólica, feita com escombros das casas demolidas. Imagem por PROMPT.


Paulo Moreira

Nasceu no Porto, em 1980. Licenciou-se pela Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto em 2005. Doutorando na The Cass School of Architecture, London Metropolitan University desde 2010. Venceu o Prémio Távora 2012.

www.paulomoreira.net