Uma oportunidade para Matosinhos



Matosinhos acolhe no seu território alguns dos mais notáveis exemplos da arquitetura contemporânea portuguesa. A cidade orgulha-se, por isso, da capacidade de inventar o futuro que alguns dos meus antecessores demonstraram, assumindo o dever de preservar esse legado e de o projetar para os vindouros, nomeadamente com a criação da Casa da Arquitetura.

Fruto da pressão demográfica que o início da segunda metade do século passado fez incidir sobre as áreas metropolitanas do Porto e de Lisboa, o concelho conheceu também um período de expansão urbana desregrada nas suas zonas periféricas, com o surgimento de inúmeros núcleos habitacionais de génese clandestina. Locais como o Monte Xisto são, pois, a demonstração viva de que a cidade real nem sempre se compadece com o desejo de planeamento que os modernistas almejaram.

Não por acaso, a chamada arquitetura informal tende a atrair a atenção de um número crescente de arquitetos, empenhados em estender a sua ação também à necessidade de criar melhores condições de vida nessas franjas urbanas não planeadas. O estudo que o arquiteto Paulo Moreira executou para o Monte Xisto, no âmbito da representação portuguesa na Bienal de Arquitectura de Veneza 2014, constitui, portanto, uma oportunidade para a promoção da qualidade de vida do concelho e para que Matosinhos esteja, outra vez, a par dos mais vanguardistas movimentos da arquitetura mundial.